Yankatu apresenta Cole??o Xingu na Made 2020
design de produto | Yankatu
Desenvolvida em parceria com a etnia?Mehinako, no Alto Xingu, linha de produtos criados por Maria Fernanda Paes de Barros nasce a partir do encontro do passado e do futuro para construir um novo presente
? incr?vel como o olhar, ap?s experi?ncias imersivas em culturas ancestrais, come?a a ter uma sensibilidade maior para enxergar novas formas de trazer nossa origem para a contemporaneidade. ? por esse caminho que percorre Maria Fernanda Paes de Barros, artista, pesquisadora e idealizadora da Yankatu. Com a alma absorvida pelas viv?ncias profundas pelos lugares que perpassa, Maria Fernanda, ? sua maneira, leva consigo uma dose de cada aprendizado, trazendo ? superf?cie revela??es em forma de pe?as carregadas de valor, como um manifesto em prol da identidade brasileira. ?A cada viagem que fa?o me torno mais humilde, percebo as diferen?as por ?ngulos novos, reaprendo a olhar, entendo significados atrav?s do lugar do outro?, explica a artista.
Para a nova?Cole??o Xingu, o processo n?o poderia ser diferente; por?m, contou com inusitadas circunst?ncias no seu desenvolvimento. A cole??o surgiu do encontro entre Maria Fernanda e a etnia Mehinako, localizada na Aldeia Kaupu?na, no Alto Xingu, sul da Floresta Amaz?nica, no final do ano passado. ?Xingu nasce a partir de um encontro entre passado e futuro, mas que se firma no presente, propondo novas maneiras de olharmos a tradic?a?o, com o respeito e admirac?a?o que ela merece, ao mesmo tempo em que usa da tecnologia para manter a comunicac?a?o em tempos de isolamento?, conta Maria Fernanda, que, por conta das novas pr?ticas desde o in?cio da pandemia no mundo, n?o p?de retornar ? aldeia Kaupu?na para continuar a produzir as pe?as.
Esse protocolo in?dito na din?mica fez Maria Fernanda encontrar novas formas de intera??o com os artes?os da aldeia.? As aulas das t?cnicas de tecelagem que ela teria in loco se transformaram em v?deos gravados e enviados via internet; com a ajuda de Stive Mehinako, artista e um dos representantes da comunidade, Maria Fernanda conquistou uma nova cartela de cores, extra?da das folhas e cascas de ?rvores nativas encontradas na reserva, com o objetivo de resgatar toda a potencialidade do Xingu. Com Maibe Maroccolo, em Bras?lia, Maria Fernanda p?de contar para extrair essas tonalidades e fazer os pigmentos tint?rios para colorir os fios de algod?o, usados nas esteiras produzidas pelas mulheres da aldeia.
?Este projeto tem um gosto especial, pois a persist?ncia e a criatividade uniram a Yankatu e a aldeia Kaupu?na no seu desenvolvimento, mesmo com os obst?culos impostos pela realidade.?Os fios tingidos pela?Mattricaria?com a mate?ria-prima colhida?pelo Stive?chegaram aqui e la? e, mesmo distantes, eu e as mulheres Mehinako estamos juntas tecendo uma nova histo?ria: elas produzem?a esteira com buriti na aldeia, e eu em S?o Paulo aprendo com elas e tec?o, tambe?m, uma esteira com pequenos cilindros de cabreu?va macic?a?, comenta Maria Fernanda.

Arm?rio Oca
Para desenvolver as pe?as da cole??o, Maria Fernanda se inspirou nos objetos e elementos cotidianos do povo Mehinako e tamb?m de outras etnias. A mesa Alimento Para a Alma, teve como base as gamelas de cer?micas utilizadas para o preparo de beijus, alimento tradicional feito com mandioca. A pe?a, produzida em Cabre?va parda, tem gravuras pintadas em urucum e carv?o por Kulikyrda Mehinako, com detalhes de colares de mi?angas vermelhas, feitos por Kayanaku Aweti. O banco Embira foi inspirado na constru??o das ocas, com suas amarra??es de tiras de casca de ?rvores. A pe?a, tamb?m em Cabre?va parda, ganha uma curvatura nas pernas, fazendo uma refer?ncia direta ?s estruturas das ocas.
O Buffet Abrigo da Vida tamb?m segue os tra?os das ocas, com o destaque das portas de correr em madeira Cabre?va parda, que fazem uma releitura das tradicionais esteiras tran?adas com palha de buriti. ?Este tran?ado evoca a for?a, resili?ncia desse povo e a beleza de sua cultura?, lembra a artista. J? o arm?rio Oca evoca a beleza desse tran?ado, propondo novas inser??es da tradi??o da cultura Mehinako em m?veis contempor?neos.
Toda esta troca, este aprendizado s?o de grande valia para Maria Fernanda, que sempre procura encontrar uma contrapartida para auxiliar a comunidade envolvida em seus projetos. Al?m de remunerar os artes?os de forma justa, a artista vai levantar fundos para aquisi??o de um barco a motor para ajudar a aldeia a se tornar aut?noma na extra??o do buriti, utilizado tanto pelas mulheres em sua arte, quanto pelos homens na cobertura das ocas.
?Somar precisa ser feito com cuidado para que as identidades n?o se percam, nem se fundam. A soma n?o deve subtrair ningu?m. Sei que parece estranho falar assim, mas se pararmos para pensar, quantas vezes, ao somarmos, enxergamos apenas o total e nos esquecemos das partes? Aqui entra a miss?o da Yankatu, apresentar a tradi??o atrav?s de um novo olhar, destacando o que temos de mais belo e genu?no com equil?brio, respeito e admira??o?, finaliza.
Cole??o Xingu -?Lan?amento Made?
De 5 a 19 de agosto na plataforma?https://www.
Yankatu
@_yankatu_
Fotos: Divulga??o
Laura 17/11/2021 at 1:27 pm
Top artigo, achei por acaso… Muito Legal!!!