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Ciclovias e ciclofaixas colorem a cidade de S?o Paulo, mas o Rio de Janeiro ainda lidera essa iniciativa

Os gritos por uma cidade mais inclusiva, pensada n?o?apenas para os autom?veis, ganham for?a. Afinal, os?ciclistas, pequenos perto da grande massa motorizada,?eram tratados como intrusos, sem um espa?o?pr?prio, seguro e que os respeitasse. As novas campanhas?e planejamento da cidade de S?o Paulo, entretanto,?est?o mudando essa realidade. O munic?pio j??possui 255,3 km de ciclovias, e a ideia ? chegar a 400?km at? o fim de 2016. ?O projeto prev? a implanta??o?de vias em todas as regi?es da cidade, inclusive ligando?os bairros?, diz Suzana Leite Nogueira, coordenadora?do Departamento de Planejamento Ciclovi?rio.?Esta expans?o, assim como as faixas exclusivas de ?nibus, rendeu a S?o Paulo o pr?mio internacional?de mobilidade sustent?vel (STA, em ingl?s), iniciativa do Institute for Transportation and Development?Policies, dos Estados Unidos, em parceria com outras organiza??es internacionais dedicadas ao tema. Para?Jos? Arm?nio de Brito Cruz, um dos titulares do escrit?rio Piratininga e presidente do IAB-SP, todos s?o?beneficiados com estas novas implanta??es. ?Estamos?aprendendo a viver na cidade. A perspectiva da urbe?compacta, do transporte p?blico como estruturador?do desenvolvimento urbano, ? um caminho sem volta?? todas as grandes cidades do mundo j? assumiram h??muito esta dire??o?, afirma.

  [caption id="attachment_4380" align="alignleft" width="423"]Com 255,3 km de ciclovias e previs?o de chegar a 400 km em 2016, S?o Paulo ensaia seus primeiros passos para se tornar uma cidade pedal?vel ? algo que lhe rendeu o pr?mio internacional de mobilidade sustent?vel (STA), iniciativa do Institute for Transportation and Development Policies. Com 255,3 km de ciclovias e previs?o de chegar a 400 km em 2016, S?o Paulo ensaia seus primeiros passos para se tornar uma cidade pedal?vel ? algo que lhe rendeu o pr?mio internacional de mobilidade sustent?vel (STA), iniciativa do Institute for Transportation and Development Policies.[/caption]

Uma pesquisa sobre o volume de ?magrelas??que circundam pela Avenida Paulista,?realizada pela Companhia de Engenharia de?Tr?fego (CET), atesta o aumento de 51% no?n?mero de ciclistas no per?odo da manh?,?ap?s a incorpora??o da ciclovia em seu canteiro?central. Para Suzana Leite Nogueira,?a?malha ciclovi?ria transforma as bicicletas?num efetivo meio de transporte integrado?aos demais modais existentes em benef?cio?da mobilidade urbana em toda a cidade?.

 

Trilhas de sucesso

Apesar de premiada, S?o Paulo ainda tem?muito que desenvolver. Dentro do ranking?das cidades nacionais com mais ciclovias,?? o Rio de Janeiro que desponta com uma?pol?tica que fez os antigos 150 km (2009)?de malha evolu?rem para os atuais 361?km, com meta de atingir 450 km at? 2016. Segundo a Secretaria Municipal do Meio?Ambiente, tamb?m foi importante o Bike?Rio, que proporciona o aluguel de bicicletas?em 60 pontos da capital.

  [caption id="attachment_4381" align="alignright" width="406"]Al?m do investimento em ciclovias e ciclofaixas, S?o Paulo tamb?m conta com sistemas de aluguel e compartilhamento de bicicletas, bastante importantes para impulsionar a cultura da bike, tornando-a complementar a outros transportes coletivos. Al?m do investimento em ciclovias e ciclofaixas, S?o Paulo tamb?m conta com sistemas de aluguel e compartilhamento de bicicletas, bastante importantes para impulsionar a cultura da bike, tornando-a complementar a outros transportes coletivos.[/caption]

Em S?o Paulo, um sistema parecido ? o Bike?Sampa ? as famosas laranjinhas, uma iniciativa?da Prefeitura em parceria com as empresas?Serttel/Samba e o banco Ita?, mostram?como os brasileiros est?o come?ando?a adotar sistemas de compartilhamento.?Agora, movimentos paralelos surgiram em?edif?cios comerciais e residenciais. ? o caso?do Rochaver? Corporate Towers e edif?cio?Solar Vila Ol?mpia, que usam do servi?o organizado?pela empresa Compartibike.

 

?A era do ?imp?rio do autom?vel? est? com os dias contados. O carro continuar? a existir,?mas cumprir? outra fun??o no transporte?das pessoas no s?culo XXI?, diz Jos? Arm?nio.??Nesta perspectiva, a ciclovia n?o pode ser?vista como algo eventual e sua materialidade?deve caminhar para um sentido de perman?ncia.?N?o pode ser vista apenas como ?uma pintura no ch?o que em pouco tempo?estar? deteriorada ou apagada?.

 

Li??es Internacionais

[caption id="attachment_4384" align="alignleft" width="328"]Copenhague ? considerada a cidade mais amig?vel para ciclistas de todo o mundo. N?o ? sem motivo que 50% de seus habitantes utilizam diariamente a magrela nos cerca de 450 km de ciclovias. Adaptadas para o cotidiano, elas podem contar at? mesmo com um engenhoso carrinho de beb?. Copenhague ? considerada a cidade mais amig?vel para ciclistas de todo o mundo. N?o ? sem motivo que 50% de seus habitantes utilizam diariamente a magrela nos cerca de 450 km de ciclovias. Adaptadas para o cotidiano, elas podem contar at? mesmo com um engenhoso carrinho de beb?.[/caption]

Pensar em uma cidade na qual 50% de seus?habitantes pedalam diariamente parece?uma realidade distante para o Brasil, mas?? vis?o comum em lugares como Copenhague (Dinamarca) ou Amsterd? (Holanda). Essas cidades s?o conhecidas por seus investimentos?em mobilidade e sustentabilidade.?Mas isso nem sempre foi assim.?Amsterd? lentamente come?ou a se tornar ?uma cidade pedal?vel, em meados de?1970. A implementa??o das estruturas?reconfigurou a sua paisagem de forma?gradual e ganhou for?a ap?s in?meros?protestos devido ao grande n?mero de?acidentes de tr?nsito.

 

A crise do petr?leo,?na mesma ?poca, tamb?m impulsionou?uma mudan?a de comportamento.?Segundo o arquiteto e professor do?departamento de Projeto da FAU-USP,?Alexandre Delijaicov, esse ? um dos?maiores desafios de qualquer cidade.??Estamos hipnotizados por um ?urbanismo??extremamente mercantilista e rodoviarista,?injusto socialmente, excludente?e massacrante, refor?ado pela extrema?fragilidade institucional. Falar de ciclovia?? tamb?m falar da dif?cil arte de?constru??o coletiva da coisa p?blica ou,?em outras palavras, da rep?blica democr?tica?e, de fato, participativa?, defende.?A aceita??o, em Amsterd?, n?o ocorreu de?um momento para outro ? questionava-se,?inclusive, o que aconteceria em dias de nevasca.??Existe resist?ncia sobre qualquer?mudan?a de comportamento. Opini?es?diversas sempre aparecem?, observa Jos??Arm?nio Cruz. Hoje, entretanto, percebese?o sucesso do case holand?s: as bicicletas?transportam mulheres de salto, homens de terno, pais com suas crian?as. N?o importa?para onde v?o, ou o clima que est?.

 

?Uma cidade cicl?vel adv?m da vontade?pol?tica, engajamento da sociedade, programas?e a??es intersetoriais voltadas ao?urbanismo humanista, social, p?blico e?coletivo, que promova o encontro, a conviv?ncia?das ?diferen?as??, diz Delijaicov.?Pensando nisso, Copenhague surge como?outro exemplo, com mais bicicletas do?que habitantes. Segundo dados da prefeitura, metade das pessoas se deslocam diariamente?com bicicletas, o que as faz percorrer?cerca de 1,2 milh?o de quil?metros?por ano em cima das magrelas ? quase o?dobro do que de metr?, que chega a 600?mil km anuais ?, trabalhando como um?modal complementar, e n?o excludente.

  [caption id="attachment_4383" align="aligncenter" width="705"]Em Amsterd?, a bicicleta ? meio de transporte oficial: at? 2008 existiam 73 bicicletas para cada 100 habitantes da cidade. Todo o investimento ? de longo prazo ? em mobilidade come?ou em meados de 1970 e hoje ela conta com mais de 500 km de ciclovias. Em Amsterd?, a bicicleta ? meio de transporte oficial: at? 2008 existiam 73 bicicletas para cada 100 habitantes da cidade. Todo o investimento ? de longo prazo ? em mobilidade come?ou em meados de 1970 e hoje ela conta com mais de 500 km de ciclovias.[/caption]   Imagens: Bruno Namorato, Copenhagen Media Center, Daniel Moral e Edwin van Eis]]>

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