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Como nasceu a palavra design?

Poucos hoje sabem dizer, com seguran?a, o que ? design. Certamente, n?o tem nada a ver com estilismo, que cont?m em si o c?ncer do ef?mero, t?pico do mundo da moda, j? que o design ?, antes de tudo, filho da utopia, que ? eterna. Tudo nasce na Fran?a de Napole?o. Pode parecer estranho, mas o megaloman?aco imperador franc?s adorava os l?pis. Toda vez que chegava em algum lugar conquistado, queria indicar rapidamente quais eram as ordens a serem executadas. Para atender essa exig?ncia, nasceu a ideia de colocar um grafite dentro de um filete de madeira. Essa foi uma muta??o tecnol?gica que, como todas, levou consigo uma mudan?a na sensibilidade est?tica. Nasceu assim a palavra francesa dessin. Os ingleses, que por tradi??o adoram roubar, inauguraram em 1848 o Journal of Industrial Design, na onda da revolu??o industrial que j? tinha definitivamente decidido o destino do mundo.

 

O franc?s dessin encontra assim a sua evolu??o sem?ntica no ingl?s design, para referir-se ? concep??o do produto de uso cotidiano. Em 1851 ainda os ingleses promovem a primeira Grande Exposi??o Universal de Londres. L? tiveram destaque os Pr?-Rafaelitas: artistas que desejavam a volta ? vida do campo e seu r?tmo produtivo artesanal, celebrando m?veis em british oak, ou tecidos com estampas de gosto renascentista. A figura predominante entre eles foi William Morris, fundador do movimento Arts & Crafts. Em forte contraste ? produ??o em s?rie, projetou m?veis e desenhos decorativos que artes?os podiam utilizar em suas obras.

 

Do lado oposto, destacou-se Christopher Dresser. Forte apoiador da produ??o em s?rie, ia nas f?bricas de Sheffield, t?o monstruosamente narradas por Charles Dickens, impondo a fabrica??o de chaleiras e objetos de uso cotidiano em vidro e metal. Esses dois personagens definem o arqu?tipo daquilo que ser? a figura do designer na modernidade. Os franceses, em resposta ? primeira Expo de Londres, promovem em 1855 a Exposition Universelle des produits de l’Agriculture, de l’Industrie et des Beaux-Art, conseguindo algo que mudar? definitivamente a vis?o est?tica do mundo ocidental: trazem para a Expo o pa?s mais fechado daquela ?poca, o Jap?o. Os americanos, n?o aceitando que o Jap?o fosse o ?nico pa?s no mundo a n?o fazer neg?cios com eles, j? tinham enviado em 1853 o Commodore Perry com quatro navios de guerra ? beira da ba?a de Tokyo, convencendo-os assim a se abrirem.

 

Foram os franceses, por?m, a valorizar de verdade a sensibilidade est?tica japonesa, dando a eles um pavilh?o nessa segunda Expo. N?s, ocidentais, n?o ser?amos mais os mesmos. Pela primeira vez entend?amos que as paredes podiam ser brancas, que os objetos podiam ser privados do requinte, que a vida cotidiana podia parar de ser materialista para tornar-se uma experi?ncia de catarse espiritual. Observem uma katana japonesa: n?o ? uma espada, a katana ? o esp?rito da espada, ? a ess?ncia dela. Desenho perfeito. N?o precisa de requinte. A chegada do Jap?o, e sua vis?o de vida, nos levou ? limpeza do espa?o, ? uma nova forma de conceber o objeto. At? a pr?xima p?lula.

 

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Imagens: acervo pessoal de Oscar Luigi Marzorati]]>

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